quarta-feira, 11 de abril de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Outono em vista

Mais um texto da série prosa poética, depois de uma ausência não planejada. Boa leitura a todos,
manon+
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O cru e o cozido de M

Um guizado de rebelião e alegria.
Uma salada de finas estrias, cortadas em mandolin, do doce e do amargo, do aéreo e do terrestre.

Um assado em forno lento de melancolia e tragédia.
Uma carne louca de panela com sabor de útero prolífico.

Um creme em arco-íris reforçado com maçarico.
Um bolo mexido em águas revoltas de ceticismo e compaixão, fé e desespero.

Um suflê das forças elementais, salpicado com flores policromadas e pó de pirlimpimpim.  
Uma mousse de alquímicas cores – o branco, o preto e o vermelho - em taças de finíssimo cristal.

Isto era o seu isso.




Agora, o que mais desejava era obter uma mistura ampla e profunda de tempo, espaço e silêncio.
Para degustar tudo, em ritmo de bicho-preguiça, pelo resto dos seus dias.
E só.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Axé!

Olá, visitantes!

Nesta tranquila segunda-feira de Carnaval, levo a vocês mais um texto que escrevi, da linhagem "prosa poética". Um ótimo feriado a todos!

manon+


Aluvial

Visões de ácido lisérgico. Trickters orquestrando a cegueira. Voluteou, carrapeta sem chão. Embarcou.

Em êxtase, tal e qual Santa Teresa, consumou o fatal equívoco. Suspenso o tique-taque dos relógios. E a marcha das estações do ano. Livres todos os bichos de estimação. Bem-vindos os puros alados com o confiante estandarte.

Então o salto com a perfeita moldura de rios e canoas, orlas e veleiros, pescadores e crepúsculos, zéfiro e cocais. Virou marionete, em espiral descendente: tibungo nas (ainda) insuspeitas águas. Onda, onda, onda – um relâmpago e a quebra na arrebentação.

Foi o último dos erros, prometeu-se. 

Aquelas três palavras, agora acorde congelado; e faíscas do fogo de palha ainda a girar em falso até que. Silêncio na caverna. Corpo em rebelião, furor nas entranhas. Finado este ciclo. Desperdício?

Hoje seres bestiais escarnecendo, o rangir de noviças vozes corroendo a mínima fé. Cheiro de pólvora nas veias, lâmina afiada pela dor: sem rodeios cortou a cabeça do mestre. Não houvera nenhuma réplica, não ouvira fátuas litanias, então arrebentara as correntes.

Amputado o próprio coração e restituídos gota a gota os ossos do espírito, há pouco se juntou à legião dos desmortos.
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Quase dezembro. Tudo mudara nas alamedas do parque, depois da erosão.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Livrarias bacanas pelo mundo

Acabo de esbarrar nesta matéria e não resisti. Então, vou postar o link para os outros ratinhos de livrarias e sebos.
Bjs,
manon+

http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/livros/album-de-fotos/7-belas-livrarias-para-visitar-ao-redor-do-mundo

Pobre poema

Postando mais um texto para o barco continuar navegando. Desculpas pela pobreza na rima, esse negócio de rima rica é trabalho de ourivesaria sem tempo pra terminar...Então, segue o esboço.
Bjs,
manon+


In memoriam


Ele, aviador nômade,

Ela, faminta de céu.

Colisão, eletrochoque.

Combustão, mausoléu.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Tradução e masoquismo

Assumi diante de pessoas conhecidas um certo masoquismo referente ao fato de gostar tanto de traduzir, dadas as dificuldades imensas dessa tarefa.
Compartilho um link que acabei de receber com um artigo que trata justamente do tema. Compara-se o  tradutor a um invisível mordomo, que só é percebido quando se mete em encrenca. Aí vai:
Bestiários

Prosa poética & gêneros

Este é um dos meus primeiros textos classificados como "prosa poética". Embora desconfie dos gêneros, eles parecem se fazer necessários. Há uma busca por definição das expressões criativas desde sempre, onde quer que a arte - ou aquilo a que chamamos de arte - se apresente. Outros diriam que o que importa é a qualidade literária (neste caso) o que também surge como algo quase da ordem do imponderável, que depende quase sempre de um argumento de autoridade. Quero dizer, daqueles que são reconhecidos no meio literário como pessoas capazes de emitir um julgamento sobre o que seria ou não "literatura".
Mas talvez um leitor atento e dedicado, embora anônimo, tenha a sensibilidade precisa para ler algo e perceber intuitivamente se essa qualidade está lá ou não. É quase mágico este momento! E acontece o tempo todo para os viciados em leitura. 
Espero que apreciem, então, a "prosa poética" do texto abaixo, cuja "história" teve vergonha de aparecer de corpo inteiro e só conseguiu mostrar-se em silhueta subjacente e escorregadia.

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Extravio no. 2

Novo exílio. Choques. Renovação? Disparate.
Pouco te arredarás de ti, embora tempo e espaço. Memória sem escape. Dores e dúvidas, sempre.
Fora, o concretado design do horizonte. Aqui, o verde e as ondas.
Nostalgia. Cidade feliz nunca mais? Mas trouxeste a floresta contigo...
Dormes, amanhã serás nascituro.  Pele nova, guerrearás com o dia, transmutarás. Como o azul da morpho didius entre os arranha-céus.
Divino dia, maligno ar - mas haverá protestos de agapantos e clerodendros...e da plena lua a engravidar os globos do mundo. Safira no céu. Cinza no perto. Preto em corpos andantes.
Começou. Sem a curva do tempo, resta deixar-te ir.
Para onde? Adiante, talvez.
Não queiras saber do impossível. Vive o mistério.
Aceita o contingente.
O que precisas. O que se esvai. O que fica?
E todo o resto.
Nada além disso. Nada além do que deve ser cumprido.
Tudo o mais é engano. Maya.
Amor em branco. Pane. É a lei desta era: noli me tangere.
Extinto o afeto, após o excesso dos bárbaros.
Pílulas para o prazer. Mudez. Solitude.
Naqueles dias.